esquema para post

January 30, 2007

O post deve iniciar com breve e superficial descrição do ambiente. Usar as palavras casa de minha avó, sombra da mangueira, calor abafado. Falar da quase felicidade que eu sentia por estar ali, lendo um livro, sem maiores preocupações. Talvez especular sobre a experiência de não suar apesar do calor, divagando sobre as possíveis causas do fenômeno e sobre o modo como ele, longe de representar incômodo, tornava tudo ainda mais estranhamente agradável. Tom neutro.

O segundo parágrafo deve remeter ao grande tema da incompletude humana à medida que apresenta a situação-conflito das formigas que mordiam meu pé, perturbando a experiência agradável descrita no parágrafo anterior. Transcrever o trecho exato em que tive de interromper a leitura por causa das formigas. Lembrar de usar a palavra insuportável. Evitar o tom de autopiedade e de justificação antecipada pelo desfecho do post.

Terceiro e último parágrafo mostrará como identifiquei no cimento do pátio da casa de minha avó o ponto exato de onde brotavam as formigas. Usar a expressão fonte da perturbação. Descrever o diâmetro do formigueiro e a relativa frieza (serenidade?) com que escolhi um graveto para entupir o formigueiro. Narrar o desespero das (5? 7?) formigas que não conseguiam mais entrar no buraco. Citar Gn 1:26. Evitar tom herético.

7 comentários »

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  1. Bonito o esquema pra post. Fiquei com pena das formigas, coitadas.

    Comment by Gustavo — January 31, 2007 @ 12:51 am

  2. Coisa louca é internet né!Digitei no google ‘manuel filó’ e acabei por adentrar em um belíssimo site!Como é bonita a sua poesia!
    Entrei no seu antigo blog e acabei caindo nesse…Me despeço antes que me ache maluca!

    Comment by Talita — January 31, 2007 @ 4:49 am

  3. Ah… se quiser comentar..meu e-mail é tali_ts@hotmail.com!

    Comment by Talita — January 31, 2007 @ 4:50 am

  4. Tem mais é que matar o sede-prolíficos das formigas picadoras de pés mesmo.

    Comment by Caio Marinho. — February 13, 2007 @ 12:56 am

  5. haha, muito bom… evidente paralelo com “Se um viajante numa noite de inverno”, do Italo Calvino. Se ainda não leu, deveria.

    Comment by Mais um... — February 13, 2007 @ 10:41 am

  6. Bom texto! Formigas a parte, as analogias e usos de recursos internauticos muito bem empregados.

    Comment by ana paula — February 13, 2007 @ 5:35 pm

  7. Não é que é mesmo? Quase fiz isso, mas afirmo que foi sem querer. Caramba! Veja “O Sumburst” que esrevi no Leia Livro (www.leialivro.com.br). Tem um pouco mais que três parágrafos, mas dá na mesma.

    Comment by Albarus Andreos — February 13, 2007 @ 11:41 pm

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