to foster

January 10, 2007

No fim do ano passado, de tanto ouvi falar de David Foster Wallace, me dei de presente "Breves Entrevistas com Homens Hediondos", primeiro (e até agora único) livro dele a ser traduzido no Brasil. Mal acabei de ler e já quero reler. DFW parece poder contar uma estória do jeito que ele quiser. São tantas e tão variadas vozes que muitas vezes me peguei pensando "Jesus, mas é um cara só?". <clichê>A prosa dele é realista, e eu tive a impressão de que suas personagens bem poderiam ser pessoas de verdade, como eu e você</clichê>. Todas elas são atormentadas de alguma maneira. Relações humanas, sexo e psicanálise são os temas que mais aparecem, e, ao contrário daqueles que, na falta do que dizer, tentam disfarçar esse vazio com uma prosa metida a revolucionária, DFW sempre tem algo a dizer. Cada conto traz uma experiência formal nova, diferente da anterior, mas tudo está a serviço do que ele quer pigarro comunicar. Lendo os contos, eu tinha a sensação de estar imerso numa experiência que acho que não tinha vivido até então, pelo menos não nessa intensidade: era quase como se as idéias, os temas trabalhados pelas estórias não encontrassem obstáculo entre os cérebros do autor e do leitor. OK, sei que isso não é possível, por isso que eu pus aquele quase ali. Um trecho do livro pode ser lido aqui.

Descobrir um autor novo depois de todo mundo é uma maravilha porque a gente sabe que ainda tem um monte de coisa dele e sobre ele pra ser lida. A quantidade de material que encontrei vai me manter nesse estado de euforia por um bom tempo, acho. (Eu contei que ele é professor?) Um perfil. Um discurso numa cerimônia de formatura. Uma entrevista longa. Uma entrevista curta. Um conto em inglês. Outro. Mais um. Mais dois. Um conto traduzido pro português. Um post do tradutor do conto. (Eu falei que ele é ensaísta também?) Uma resenha/ensaio excelente, tratando de American Usage. (Em alguma lugar, vi compararem esse texto com Politics and the English Language, de Orwell. Vi também quem não tenha gostado tanto assim.) Um ensaio sobre David Lynch. Um ensaio sobre lagostas. Um ensaio comparando um blockbuster tipo Exterminador do Futuro 2 a um filme pornô. Um trecho de um ensaio sobre, sei lá eu, abstração? Um ensaio sobre aquele tenista famoso. Um ensaio sobre o Adult Video News Awards. Uma entrevista na TV. Um site para fanáticos. (Eu falei da mania das notas de rodapé? Uma piadinha, hehehe.) Vejo agora que esqueci de dizer que DFW é o autor de Infinite Jest. Uma coluna tratando do assunto. (Falando nisso, Elton Mesquita traduziu dois capítulos desse livro: aqui e aqui.) Outra piadinha:

 

Ah, férias.