“reality”

November 11, 2006
 
"(…) the huge oils of Eystein had fascinated several generations of Zemblan princes and princesses. While unable to catch a likeness, and therefore wisely limiting himself to a conventional style of complimentary portraiture, Eystein showed himself to be a prodigious master of the trompe l’oeil in the depiction of various objects surrounding his dignified dead models and making them look even deader by contrast to the fallen petal or the polished panel that he rendered with such love and skill. But in some of those portraits Eystein had also resorted to a weird form of trickery: among his decorations of wood or wool, gold or velvet, he would insert one which was really made of the material elsewhere imitated by paint. This device which was apparently meant to enhance the effect of his tactile and tonal values had, however, something ignoble about it and disclosed not only an essential flaw in Eystein’s talent, but the basic fact that ‘reality’ is neither the subject nor the object of true art which creates its own special reality having nothing to do with the average ‘reality’ perceived by the communal eye."
 
(Nabokov, in Pale Fire)

8 comentários »

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  1. Por que raios até os gênios insistem em criar regras sobre como a arte deve ser, ou como deve ser, ou sobre o que são objetos e assuntos da arte de verdade, implicando claro, que tudo em contrário, é arte falsa?
    Melhor logo, pra facilitar, reconhecer a morte da arte na maldita era da reprodutibilidade técnica (argh) ou desde os pôsteres de Toulouse Lautrec (arte usável não existe, regra número 35674, e adotar tudo o que vem depois como cultura pop (argh duplo). Poupa um monte de discussão estética.

    Comment by Saymon Nascimento — November 12, 2006 @ 11:55 pm

  2. Ah, Saymon, essa é fácil. Os gênios insistem em definir o que é arte porque, ora bolas, eles são gênios. E quem gosta de realidade é jornal. =)

    Comment by tiago a. — November 13, 2006 @ 2:45 am

  3. Sabe o que incomoda mais? Essa percepção de “average reality”, algo sólido perceptível, a realidade artística como outra coisa, separada. Mais fácil acreditar que a realidade é mais complexa e comporta (e serve de matéria-prima) as (às) visões dos artistas, seja essa visão única e idiossincrática (como o chamado realismo interior, termo que adoro) ou completamente mostrada como uma visão normal, cotidiana, a todos acessíveis - e que pode, não tem regra que dite o contrário, ter o mesmo impacto de uma arte não-realista.
    Na verdade, acho que o papo que todo mundo fala não é sobre realidade, mas sobre a necessidade de ser pessoal, de se ter uma visão do mundo que, através de capacidade técnica, se revela em uma obra de arte. Parece claramente uma defesa dessa arte idiossincrática como de grande valor quanto outra “realista”, ou engajada - discussão que já deveria ter sido encerrada há muito tempo, penso. Não só porque um olhar “realista” pode ser muito pessoal, mas porque, de um jeito ou de outro, escapista ou pé no chão, o que interessa é que arte seja bem feita, internamente coerente (e não necessariamente em relação a padrões canônicos, só pra constar). A etimologia (ou o Wikipedia), sempre nos pode ajudar. Arte, ars = habilidade. Claro, isso não justifica que qualquer coisa bem feita seja arte, esse papo é mais complexo, mas isso já é um caminho das pedras.

    Comment by Saymon Nascimento — November 13, 2006 @ 1:44 pm

  4. Ah, quero debater não. Preguiça. Mas clica:

    BBC: In your new novel, Pale Fire, one of the characters says that reality is neither the subject nor the object of real art, which creates its own reality. What is that reality?

    Nabokov: Reality is a very subjective affair. I can only define it as a kind of gradual accumulation of information; and as specialization. If we take a lily, for instance, or any other kind of natural object, a lily is more real to a naturalist than it is to an ordinary person. But it is still more real to a botanist. And yet another stage of reality is reached with that botanist who is a specialist in lilies. You can get nearer and nearer, so to speak, to reality; but you never get near enough because reality is an infinite succession of steps, levels of perception, false bottoms, and hence unquenchable, unattainable. You can know more and more about one thing but you can never know everything about one thing: it’s hopeless. So that we live surrounded by more or less ghostly objects - that machine, there, for instance. It’s a complete ghost to me - I don’t understand a thing about it and, well, it’s a mystery to me, as much of a mystery as it would be to Lord Byron.

    Comment by tiago a. — November 14, 2006 @ 2:13 am

  5. Bom, pra responder sem debater. Contextualização. Lendo uma frase solta - arte verdadeira nada tem a ver com a realidade - e comparando com a entrevista, acho que não penso diferente: a arte surge de um ponto de vista, que não dá conto do todo “real”, e sim de algum ângulo, ou visão. Sim, certo, nenhum problema, mas a frase solta dá impressão daquela velha defesa (correta) do tipo de arte que tá nem aí pro sentido político ou cotidiano da chamada realidade. Problema dessa defesa é só desqualificar o outro ponto de vista. E isso não tem muito a ver com o que Nabokov tá falando aí. Bom, eu não li o livro, não devia ter comentado.
    (Não houve debate, então, pronto)

    Comment by Saymon Nascimento — November 14, 2006 @ 2:44 am

  6. Mas, Saymon, qual é a graça de se fazer uma defesa sem desqualificar o outro ponto de vista? O que eu acho de verdade é que ele - também pra evitar o debate - tergiversou bonitinho, bonitinho.

    E que estória é essa de que não devia ter comentado? Devia e deve, você é benvindo.

    Comment by tiago a. — November 14, 2006 @ 10:24 am

  7. Sei lá, meio estreito sempre opor a a b o tempo todo. Não, não é por questão de ser benvindo - mas acho que não acrescentei muito, e julguei o cara a partir da frase solta. Mas, whatever.

    Comment by Saymon Nascimento — November 14, 2006 @ 3:11 pm

  8. Ah, mas aí o responsável sou eu, que postei a frase solta. É que achei bonita.

    Comment by tiago a. — November 15, 2006 @ 12:48 am

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