não teve chuva pra desintegrar
"Rapaz, como disse, é uma leitura sofrida, difícil, e nada prazerosa. Ainda assim, tem algum mistério naquela solenidade toda que empurra a leitura pra frente. Talvez seja por ele deixar claro que está lidando com uma grande tragédia, e por a gente saber (como na época do lançamento) que o final é um desatre mesmo. Parece tragédia de teatro. Acho que por isso, gosto da estrutura. O livro acabou me conquistando ainda na ‘Terra’. Ele está lá descrevendo o ambiente, aí chega ao chão, ao solo, a um pedaço de carne. É um cadáver de 3 meses, murcho. Não teve chuva pra desintegrar. Fui assim, garimpando o livro, pra ir, cada vez mais, me defrontando com essa violência extrema. O estranho é justamente isso - a hostilidade humana cresce, mas a violência parece pairar o tempo todo, no clima, no sol, nas rochas das montanhas, desagradavelmente. É um livro difícil, mas a minha impressão final é a de uma obra realmente monumental. Ainda assim, preciso de uns bons 10 anos pra reler."
Saymon fala no meu scrapbook sobre Os Sertões, que ele leu e gostou.

Um livro difícil, árduo, duro.
Ainda não consegui ler efetivamente.
Talvez algum dia eu tenha maturidade pra tal.
Comment by Hugo — October 28, 2006 @ 3:07 pm
eu achei livro detestável - pior que livro no sertão só livro no sertão em estilo bacharelesco - mas a única parte de que me lembro como realmente “Ó!” foi essa que o cara citou, a do cadáver murcho. página de antologia (e pra mim a única).
abraço
abraço
Comment by rodrigo de lemos — October 28, 2006 @ 11:35 pm
eu gosto é que eu mesmo respondo aos meus “abraços”.
Comment by rodrigo de lemos — October 28, 2006 @ 11:37 pm
É, o estilo é bem impossível, mas tem outrosa momentos impressionantes. Acho que a gente só leva pra frente pq, de tempos em tempos ele entrega uma cena dessas, até que no final, tudo arrasado, é tudo devastador, e nem a escrita consegue impedir isso. De qualquer jeito, não acho que é o caso de um escritor entre o tema e a gente, leitores. O livro só é forte porque tem esse filtro de Euclides da Cunha, capaz de observar tanta coisa aterradora e atirar na nossa cara.
Comment by Saymon Nascimento — October 29, 2006 @ 2:19 am
Aliás, ninguém se assuste. A opinião que Tiago publicou foi continuação de papo sobre o livro. Não ando despejando opiniões literárias no scrapbooks dos outros, claro.
Abraço a todos.
Comment by Saymon Nascimento — October 29, 2006 @ 2:21 am
Hugo, somos dois, mas não sei se quando eu tiver maturidade, terei saco. Me lembra depois que eu quero te mostrar um texto que diferencia sarcasmo de ironia, se te interessar. Rodrigo, eu, adepto que sou do “não li e não gostei”, também acho meio chato. Muito obrigado pelo link lá no Chá das 5inco. Emocionei-me. Abraço. Saymon, se um dia eu vier a ler, vai ser por causa de você. Abraço.
Comment by tiago a. — October 29, 2006 @ 12:19 pm