não teve chuva pra desintegrar

October 28, 2006
 
"Rapaz, como disse, é uma leitura sofrida, difícil, e nada prazerosa. Ainda assim, tem algum mistério naquela solenidade toda que empurra a leitura pra frente. Talvez seja por ele deixar claro que está lidando com uma grande tragédia, e por a gente saber (como na época do lançamento) que o final é um desatre mesmo. Parece tragédia de teatro. Acho que por isso, gosto da estrutura. O livro acabou me conquistando ainda na ‘Terra’. Ele está lá descrevendo o ambiente, aí chega ao chão, ao solo, a um pedaço de carne. É um cadáver de 3 meses, murcho. Não teve chuva pra desintegrar. Fui assim, garimpando o livro, pra ir, cada vez mais, me defrontando com essa violência extrema. O estranho é justamente isso - a hostilidade humana cresce, mas a violência parece pairar o tempo todo, no clima, no sol, nas rochas das montanhas, desagradavelmente. É um livro difícil, mas a minha impressão final é a de uma obra realmente monumental. Ainda assim, preciso de uns bons 10 anos pra reler."
 
Saymon fala no meu scrapbook sobre Os Sertões, que ele leu e gostou.