Devem ser solitários, os radialistas esportivos. Difícil encontrar gente para conversar quando você tem que falar rápido daquele jeito e ainda intercalar as frases com anúncios de Pitú, mania de brasileiro.
Agora há pouco, fui vítima de um que tentou puxar assunto na fila do banco: perguntou as horas (Três e meia já?), falou do tempo (Que calor é esse, rapaz?), elogiou o livro que eu estava lendo (Alemão? Gente, que chique!), xingou Lula (Aquele ladrão, safado!), reclamou da demora (Ô, essa fila não anda não?) e narrou um atropelamento (E tá lá um corpo estendido no chão!), tudo isso em irrespiráveis 29 segundos. Eu, claro, só podia balançar a cabeça (hum-hum, hum-hum) enquanto rezava silenciosamente para que ele calasse, pelo amor de Deus, o diabo daquela boca - o que, obviamente, não aconteceu.
O episódio me lembrou uma outra espécie de gente, talvez mais solitária ainda, porque mais chata: os blogueiros que escrevem períodos longuíssimos, cheios de palavras inúteis e expressões vazias, clichê atrás de clichê, jargão atrás de jargão, sobre os mais desinteressantes assuntos - do aquecimento global ao papel da mulher no século XXI, da arte de vanguarda ao outro mundo possível, da questão palestina ao disco ou livro novo de Chico Buarque - sempre e sempre e sempre arrumando uma maneira de estender as frases indefinidamente, com digressões inesperadas, parêntesis infinitos e lembranças inoportunas, verdadeiros mestres na arte de fingir que vão enfim concluir a oração e dar ao leitor a já tão aguardada pausa para recobrar o fôlego, apenas para terem o cruel prazer de vê-lo desiludido e triste diante de mais um de modo que. Perdão, perdão, foi só um exemplo. Pode respirar agora.