do dia em que me apaixonei pela crítica
(inspirado no excelente ensaio de Alexandre na Bravo! desse mês)
A melhor opinião a respeito de qualquer assunto é a idiossincrática. Se lhe perguntam o que você achou de um filme, evite, pelo amor de Deus, os termos "comercial", "derivativo", "pulsante". Limite-se a dizer se gostou ou não, se é bom ou não, se dormiu durante a exibição ou não. É isso o que eu quero saber. É isso o que qualquer pessoa normal, que nunca tenha lido Haroldo de Campos, quer saber.
Juro, se for preciso jurar, que eu não estou nem um pouco interessado no fato de a atuação do ator José da Silva Smith ter sido, digamos, avassaladora. E lhe dou um exemplo de uma boa crítica.
Conheço uma garota a quem perguntei certa vez o porquê de ela gostar tanto de Philip Roth. Ela respondeu que gostava porque era bom. Não satisfeito, perguntei por que era bom. Ela, então, rindo o sorriso dos sábios, disse que era bom porque ela gostava.
É verdade que, à exceção de uma tarde numa livraria em que passei os olhos sobre umas 50 páginas de Portnoy’s Complaint, eu ainda não li nada de Philip Roth e nem sei se algum dia o farei, mas desde então, insistentemente, peço a tal garota em casamento. (Eis a fonte da minha dor.) Como resposta tenho ouvido todas as entonações possíveis das palavras "não", "jamais" e "nem morta", e esta lembrança triste, assim, no fim desse post, é suficiente para que lágrimas comecem a molhar a palidez de meu rosto. Snif, snif, desculpe.
