Luís de Almeida Linhares, um sábio

September 3, 2006

Ele cursava a 4ª série quando, num dia ordinário de um maio mais ordinário ainda, encontrou, na porta do banheiro da escola, entre as pixações ha, ha, ha, eu estive aqui e Marcela do 3º C é gostosa, a frase que deu sentido a sua existência:

Só o sujeito vulgar se vangloria das coisas que fez; orgulhe-se daquilo que você não precisou fazer.

Convicto de que havia encontrado a fonte da sabedoria, deixou a vida acadêmica. Dali em diante, nas horas em que sua mãe lhe rogava para que voltasse a estudar (Menino, menino, vai estudar, menino, ô, meu Deus), ele se limitava a tomar mais um gole de Nescau, pôr a mão no bolso de seu roupão do Ursinho Pooh e declarar soberbamente:

- Um senso estético apurado, mamãe, tem certeza de que algo é ruim sem precisar experimentá-lo. Agora dá licença que eu quero ver o Chaves.

Durante a adolescência, Luís de Almeida Linhares vestiu camisetas Orgulho de Nunca Ter Lido Jorge Amado. Vive feliz até hoje, tem dois filhos e não está no orkut.