em cinco
Dia sim, dia não, duelamos eu e minha vaidade pelo controle de mim mesmo. Ela, coitada, amarga derrota atrás de derrota porque eu, covarde, não hesito em utilizar os golpes mais vis para prevalecer.
Um deles é particularmente interessante: toda vez que percebo que minha vaidade furtivamente se pôs a inflar meu ego - nublando minhas percepções, inchando meu umbigo - inicio imediatamente um exercício imaginário de deslocamento temporal (cinco anos futuros costumam ser razoavelmente suficientes). Olhando para o Tiago de agora, que, numa conversa banal, acabou de entrar num estado de semidivindade, imagino o Tiago de daqui a cinco anos, meneando a cabeça negativamente enquanto cobre o rosto constrangido com as mãos envergonhadas. O retorno à sobriedade não costuma demorar.
Tudo aquilo de que você se orgulha hoje será ridículo em cinco anos, talvez menos. Lá, naquele canto, estão suas fotos e opiniões de cinco anos atrás a testemunhar.
