regras para um jantar na pós-modernidade
Ao elaborar os convites, lembrar que na internet e alhures, onde quer que a palavra escrita impere, erros de ortografia depõem contra o caráter de quem os comete. Não convidar para um jantar quem não sabe escrever as palavras "seleção" e "ansiedade" - prova de que não sabem usar talheres.
Não incluir na lista de convidados os que se tratam por "querido", "fofa", "meu amor". Sempre chamar a pessoa pelo patronímico e, se dele não se lembrar, utilizar as expressões "meu distinto cavalheiro", "minha bondosa dama".
É imprescindível controlar os instintos homicidas e/ou suicidas, sobretudo se, à mesa, comensais vulgares se puserem a discutir semiologia. À semelhança do que já ocorre com outras graves e quejandas demonstrações de incivilidade, evitar qualquer debate sobre a referida matéria na vida social.
Quem considera a vaidade alheia insuportável reconhece tacitamente não ter muito do que se vangloriar. Nenhuma vaidade pode sobrepujar a sua. O sentimento que se deve ter com relação à vaidade das outras pessoas é o de condescendência frente a uma manifestação inferior.
Jamais discordar ou concordar sem fazer ressalvas. Sorrir enquanto xinga mentalmente.

Cinismo acaba de ganhar uma antiga acepção.
Comment by Djaman — August 24, 2006 @ 9:09 pm