da conversa
Todo mundo conhece alguém que não percebe o momento de parar de falar na primeira pessoa do singular. Gente que, numa roda de amigos, insiste em manter o foco sobre si mesmo apesar de não ter nada de tão fascinante em seus gostos, em suas experiências, em sua personalidade.
A pior companhia é a que constrange quem está ao seu redor a adorar-lhe o umbigo. Como qualquer culto, este também não pode ser imposto, seja o umbigo em questão realmente digno de adoração, seja ele mal cicatrizado e parecido com os daquelas crianças retratadas em reportagens sobre a seca. Aliás, principalmente neste último caso.
É possível se medir a quantidade de chatice de uma pessoa pelo número de vezes em que ela diz "eu". Se em 3 min, forem ouvidos mais de 10, está-se diante de um chato à semelhança daquele presidente que não se cansa de dizer que ele é isso, ele é aquilo, e que nunca antes na história desse país - vocês conhecem a ladainha.
As pessoas mais interessantes e mais sedutoras, invariavelmente, falam de si sem dar a perceber que o estão fazendo. Falando de outras coisas, belas e boas (e boas porque belas), vão envolvendo o interlocutor de maneira tal que, ao fim da conversa, este se vê de joelhos, humilde devoto do umbigo alheio.

O Allen merece todos os olhares.
Comment by Gabriela — August 6, 2006 @ 2:06 pm
e belas pq boas também. ou o que seria de todos nós, meu Deus?
Comment by iulo — August 9, 2006 @ 4:12 pm
Quanta tolerância… dez vezes?
Comment by Rio Vermelho — August 9, 2006 @ 11:03 pm
Hey, Gabi, admiro esse negócio de comentar no outro post; e também acho. Iulo, quanto tempo hein? RV, pois é, estou zen.
Comment by tiago a — August 10, 2006 @ 12:08 am
não comento, mas sempre leio.
Comment by iulo — August 11, 2006 @ 11:49 am