da conversa

August 6, 2006
 
Todo mundo conhece alguém que não percebe o momento de parar de falar na primeira pessoa do singular. Gente que, numa roda de amigos, insiste em manter o foco sobre si mesmo apesar de não ter nada de tão fascinante em seus gostos, em suas experiências, em sua personalidade.
 
A pior companhia é a que constrange quem está ao seu redor a adorar-lhe o umbigo. Como qualquer culto, este também não pode ser imposto, seja o umbigo em questão realmente digno de adoração, seja ele mal cicatrizado e parecido com os daquelas crianças retratadas em reportagens sobre a seca. Aliás, principalmente neste último caso.
 
É possível se medir a quantidade de chatice de uma pessoa pelo número de vezes em que ela diz "eu". Se em 3 min, forem ouvidos mais de 10, está-se diante de um chato à semelhança daquele presidente que não se cansa de dizer que ele é isso, ele é aquilo, e que nunca antes na história desse país - vocês conhecem a ladainha.
 
As pessoas mais interessantes e mais sedutoras, invariavelmente, falam de si sem dar a perceber que o estão fazendo. Falando de outras coisas, belas e boas (e boas porque belas), vão envolvendo o interlocutor de maneira tal que, ao fim da conversa, este se vê de joelhos, humilde devoto do umbigo alheio.