os outros
Estando eu sem disposição para nada, redireciono você, querido(a) leitor(a), para coisas interessantes, legais e boas.
- A (prometida) série de posts em que FDR narra sua lua-de-mel começou hoje.
Os comentários à entrevista que a Nova Corja fez com Manuela (vereadora do PCdoB em Porto Alegre). De morrer de rir. 1, 2 e 3. E continua.Não. Esqueça Manuela. mozart voltou, mostrando a diferença entre música e literatura.- Polzonoff diz que a maioria dos leitores é estúpida.
- Hermano sobre a classe mérdia.
- Dois grandes posts de Alexandre Soares Silva: Sinais de Vulgaridade (I e II).
- E, por último, Rodrigo de Lemos fala de amor.
godofredo marinoni
a arte da conversa
Você se importa se eu puser uns linques aqui?
Estava lendo as colunas de JP Coutinho na Folha, das mais antigas para as mais recentes, quando resolvi marchar retrospectivamente. Não me arrependo. Foi da coluna de 26.06.06, que veio esse trecho:
18 de JunhoFalo sozinho com frequência? Precisamente: tenho longas conversas que, às vezes, terminam com zanga séria. Desde logo porque é difícil conversar com alguém hoje em dia. Mesmo com pessoas próximas, com quem partilhamos tudo - trabalho, casa, saliva, doenças - é mais complicado do que parece. Por isso leio o texto de Boris Fausto na Folha, "Jogando conversa fora", com um sorriso de concórdia. De fato. Difícil não sentir alguma nostalgia pela boa e velha conversa, que o século 18 elevou a uma forma de arte. E não apenas nos salões de Paris. O "século da conversa" encontra-se também, ou sobretudo, em Londres e vários conversadores de excelência saltam de imediato: Goldsmith, Boswell, Reynolds e o incomparável Dr. Johnson, que cunhou a frase lendária «whoever goes to bed before midnight is a rogue» («quem vai para a cama antes da meia noite é um velhaco»).
Hoje é o contrário: as pessoas falam, sim, mas raramente conversam. Qual a diferença? Falar é coisa utilitária, que começa e acaba com um propósito comum. Conversar, não: desde logo porque "conversar" implica dois sentidos. Falamos e escutamos. E falamos. E escutamos. Como uma dança que precisa de dois parceiros: dois parceiros que avançam e recuam pelo simples prazer de dançar. Existe disputa. Mas existe também a natureza vagabunda de uma conversa: a forma como vai deambulando pelas ruas da intimidade sem ninguém saber exatamente como, para onde, ou porquê. Participamos apenas no "grande congresso internacional", como lhe chamava Robert Louis Stevenson num ensaio clássico sobre a matéria, "Talk and Talkers", que aconselho. Tudo isto implica um desprendimento do tempo, e da "cultura dos resultados", que a modernidade enterrou sem retorno.
Boris Fausto cita as festas de sociedade, onde as pessoas não conversam: vão disparando frases, tentando vencer a resistência do alarido. Vou mais longe: a cultura do ruído surgiu e instalou-se, precisamente, para esconder a vacuidade das pessoas. Para esconder, no fundo, como os seres humanos se tornaram desinteressantes. Nada para dizer. Nada para escutar. Às vezes, o ruído em volta é até um alívio (para eles) e uma benesse (para nós).
Television and radio, alas, are no longer the only irresistible forces destroying conversation. They are now supported, perhaps even outdone, by iPods, cell phones, computers, BlackBerries, electronic games, Netflix, and the Internet. For years books, newspapers, magazines, movies, and recordings have helped people achieve what Miller calls "conversational avoidance," but in this new age of electronic miracles amok, conversation is being hard pressed to survive. The man who wants to say a few words of his own nowadays may have trouble finding anyone to listen, but never mind, he can always retreat to the solitude of his Web site and speak to the whole cyberworld through the electronic megaphone he calls his "blog."
jp coutinho
Idiossincrasia é como escova de dentes, e eu não tenho paciência para as dos outros. Tenho uma norma de conduta para evitá-las que funciona da seguinte maneira: para me interessar por algo/alguém é necessário que pelo menos três pessoas que eu inveje digam que esse algo/alguém é bom. O primeiro faz uma referência, registro. O segundo cita, digo Hum. O terceiro diz que gosta, vou atrás.
Foi mais ou menos assim com JP Coutinho. Devia me envergonhar de só ontem ter ido ler o que ele escreve na Folha desde o ano passado e ainda ter a cara de pau de vir aqui expor publicamente minha torpeza. Mas vale a pena o vexame. Coutinho atende a muitos dos requisitos que um colunista deve possuir para ser considerado bom segundo meus padrões: é inteligente, boa prosa, conhecedor da História e, sobretudo, não-brasileiro.
Mas aconselho: se você, até aqui, ainda não tinha ouvido falar dele, espere por no mínimo mais duas indicações. JP Coutinho é a maior prova de que meu método não costuma falhar.
ma drug ada
O SU de Soaressilva não me deixa dormir. Sabia que você pode ter algo em comum com Hitler, com Woody Allen, ou com Cher? "Ah, muda de assunto aí". Mudei.
Finally, a scientific survey has proven what everyone has long suspected (which is what scientific surveys ought to do): creative artists, it appears, really do have more exotic love lives than the rest of the population. The new study, published this week in Proceedings of the Royal Society, suggests that artists, from poets to painters to puppeteers, have, on average, twice as many sexual partners as non-artists. (…) According to the researchers the greater the artistic endeavour, the larger the sexual appetites. (There are some obvious exceptions to this rule: Julio Iglesias once boasted that he had had sex with 3,000 women, but has never yet sung a decent song.)
He. Hehe. Hehehe. Daqui.
Mudando de assunto de novo, aproveitando que são duas da manhã, que a gente não tem compromisso com coerência e que não tem ninguém que nos obrigue a falar de um único assunto num post, deixa eu perguntar uma coisa. Se você fosse condenado ao degredo em, say, Marte e pudesse levar ou um livro, ou uma pessoa, qual seria sua escolha?
Em dúvida? Deixa pra lá então. Vamos assistir dez vídeos, aliás dez não, só três. 1, 2 e 3.
E eu te contei que - hum, depois. Hoje não.
mulato inzoneiro
Nada poderia ser mais estranho para os gringos que acompanhavam a Copa do Mundo do que os nomes dos jogadores brasileiros. Houve até quem tenha dito que Brazil’s affinity for nicknames might stem from the country’s historically high illiteracy rate. Ui, doeu. Anyway, se você fosse um jogador do Brasil, qual seria o seu nome?
O meu, por exemplo, seria Tiagildo.
shame on me
Vocês acreditam que eu ainda não tinha linkado o parada?
fair play my ass
Antes de pendurar precocemente as chuteiras, deixei minha marca no gramado de paralelepípedos da rua Rafael Pinto, na altura da casa n° 232. É de lá que trago a lição de que futebol é pra homem e só pára em caso de afundamento de crânio, fratura exposta, and all that jazz. Aprendi também que quem vai pra casa apanhado merece apanhar de novo, que aquele cuja mãe é xingada e não trata de enfiar a mão no ofensor merece o desprezo público e que lágrimas não resolvem problemas. A depender do que o italiano disse, portanto, foi até pouco.
qui vit sans folie n’est pas si sage qu’il croit*
Ainda ontem três pessoas me diziam que I’m out of my tree, no que quase acreditava não fosse o fato de elas também não serem o exemplo maior que alguém pode ter de sanidade mental. Tanto melhor que loucos comecem a dizer que você está lelé: a única conclusão a que se pode chegar é a de que o normal da estória é você. Mas não precisa estragar a brincadeira por causa disso. Não seja rude. Brinque com eles, imite suas feições, compartilhe de suas opiniões e não diga tudo o que pensa, a todo momento. Afinal, ninguém precisa ser tããão racional assim. Não é aconselhável, por exemplo, confessar que deixou de gostar de Chico Buarque. Da próxima vez que lhe perguntarem se você gostou do disco novo dele, seja gentil, diga "ele está como de costume" e só mentalmente complete: fanho.
_______
*Oui, oui, c’est lui, c’est lui. Et il y a beaucoup plus ici.
uns 34
hitler é um frajola
Gatos que parecem Adolf Hitler. Tadinhos. (link)
50 cents é uma berinjela
"During the eight years Pnin had taught at Waindell College he had changed his lodgings — for one reason or another, mainly sonic — about every semester. The accumulation of consecutive rooms in his memory now resembled those displays of grouped elbow chairs on show, and beds, and lamps, and inglenooks which, ignoring all space-time distinctions, commingle in the soft light of a furniture store beyond which it snows, and the dusk deepens, and nobody really loves anybody."
"Durante os oito anos em que vinha lecionando na Universidade de Waindell, Pnin se mudara - por uma razão ou por outra, sobretudo de cunho ’sônico’ - praticamente a cada semestre. Em sua memória, o acúmulo de quartos consecutivos assemelhava-se agora a esses mostruários onde poltronas, camas, abajures e lareiras, desprezando todas as distinções de espaço e de tempo, coexistem à luz suave de uma loja de móveis enquanto lá fora a neve cai, o dia escurece e ninguém ama de fato ninguém."
