ei, cresci
A essa altura, todo mundo já ouviu falar do tal toque de celular que os adultos não ouvem (veja se você consegue ouvi-lo aqui). Na verdade, trata-se de uma adaptação feita por adolescentes ingleses de um produto cuja intenção primeira era dispersar a vagabundagem que ficava em frente a lojas, sem fazer outra coisa senão vagabundar. O toque, uma espécie de zumbido agudíssimo que, por isso, atende pelo nome de "mosquito", passou para a internet e daí ganhou o mundo. Deu até na Veja, dia desses, e, se você até aqui ainda não tinha ouvido falar, não se desespere: esta é só mais uma daquelas notícias inúteis que só entram pra completar a pauta.
Foi num desses blogs da vida que eu ouvi o tal do toque. Bem irritante. Minha mãe, que já é adulta há um bom tempo, também conseguiu ouvir, o que confirma a tese de que as notícias da Veja que não são mentirosas, nem por isso são fidedignas.
Enfim. O caso é que Louis Menand, a pretexto de escrever sobre o "mosquito" - febre, lá nos EUA - nos presenteou com um texto cheio de wit na New Yorker dessa semana, em que faz uma crítica de gerações, a dele e a minha. No último parágrafo ele diz algo mais ou menos assim: "tudo bem que nós, grownups, não sejamos capazes de ouvir o ‘mosquito’. Os adolescentes, por seu turno, tadinhos, são incapazes de ‘ouvir’ este texto". Ah, deixa eu copiar e colar logo:
This means that some things that were once present to us become invisible, go off the screen; the compensation is that new things swim into view. Ramps are an example. Try getting a teen-ager to appreciate a grilled ramp. Try getting a teen-ager to appreciate another person, for that matter. We may lose hormones, but we gain empathy. The deficits, in other words, are not all at one end of the continuum. Readers who are over twenty may not hear the new ring tone; if they had it on their phones, it might as well be silent. But most readers who are under the age of twenty will not be able to “hear” this Comment. Yes, they will see the words, and they will imagine that they are reading something, and that it makes sense; but they can never truly “get it.” The Comment is simply beyond the range of their faculties. For all intents and purposes, if you’re under twenty, this page might as well be blank.
É. Se isso for verdade, eu posso finalmente me considerar um ex-teen.
E olá pra você também.

Não ouvi nada. Fiquei na dúvida: atualizo meu player ou compro creme antirugas?
Comment by Djaman — June 26, 2006 @ 3:32 pm
Mentira que Djaman não ouviu nada! caraca, muito irritante. minha irmã também ouviu.
pois bem, preciso me acostumar a ler mais em inglês, porque ouvir pra mim é bem mais fácil. se tu pudesses ler esses textos bem direitinho e pusesse aí a tua voz gravada ia dar menos preguiça.
palavras sinceras de quem precisa praticar a leitura em inglês…
Comment by Carla Patrícia — June 27, 2006 @ 12:11 pm
Ah, eu concordo com Carla: Djaman, acho que você se esqueceu de ligar as caixas de som. Mas, por precaução, compre o creme também.
E Carla, viu que não é tão difícil comentar? Até eu consigo. Seria um prazer ler pra você, pena que as atribulações cotidianas não me permitam ir adiante neste projeto.
Vai ver não é o fato de estar em inglês. Experimente os assuntos que mais lhe interessam e verá que, logo, logo o olho pega ritmo de jogo.
Bom dia a todos, vou dormir.
Comment by Tiago A — June 27, 2006 @ 2:10 pm
HAHAAHA! tá no clima da Copa!
o olho pega ritmo de jogo… adorei!
Comment by Carla Patrícia — June 27, 2006 @ 6:24 pm
Eu ouvi… obrigado, Senhor! Eu posso ouvir!
Comment by Djaman — July 1, 2006 @ 8:01 pm