Por esses dias, uma amiga, numa mensagem que me pareceu um tanto confusa, porque eu sou confuso, e tudo o que se põe diante dos meus olhos torna-se confuso também, uma amiga, dizia eu, que não necessariamente me considera amigo dela, coisa que até entendo, porque seria pedir demais, me disse, a amiga, que eu need to stop being so proud. Não me recordo se foram estas as palavras, também não sei se ela queria dizer que quem need to stop being so proud era ela, ou eu, porque ela não pôs, creio que propositadamente, o sujeito no diabo da frase. A angústia que passou a me atormentar, consumir meus dias, tirar meu sono - mentira, é pura curiosidade mesmo, é saber ao certo se ela quis dizer, considerando que o sujeito da frase era you, que eu precisava parar de ser:
a) arrogant;
b) conceited;
c) big-headed;
d) vain;
e) or just proud.
Isto tudo porque, sábado, passei a tarde na Siciliano da Barra, sim, às vezes eu me submeto a estas horrendas experiências para não esquecer a chamada vida real, repleta de gente perguntando ao vendedor se ainda tem aquele livro daquele filme, ou lendo coisas como Anjos brancos - Entre o céu e o inferno - Os bastidores do Real Madrid, enquanto ocupam as poltronas e me obrigam a sentar no chão para ler a primeira coletânea do Pasquim, maldizendo meus pais por não me terem feito nascer, sei lá, na década de 40 or something, de modo que eu pudesse ter ouvido João Gilberto no rádio e lido o Pasquim toda semana. E que, você aí, militante enrolado na bandeirinha, trate logo de tirar esse sorrisinho da cara e pare imediatamente de pensar que enxerga em mim um dos seus, porque ler e gostar de Pasquim não quer necessariamente dizer lutar, argh, contra, argh, a ditadura militar, argh.
Dizia eu que estava lá, lendo o livro que ainda hei de comprar, me deleitando com Paulo Francis, que, numa hora, não com estas palavras, advertência que se faz necessária quando quem escreve já não sabe porque escreve e começa a trocar as teclas porque já devia estar na cama, diz que lhe era muito trabalhoso ter que se esforçar para ser, ao mesmo tempo, arrogante, presunçoso e outro adjetivo, que agora esqueci. Aliás, nem sei se foi isso mesmo que ele disse, no dia em que eu comprar o livro, eu volto e conserto este post, juro.