sobre a geração 00

May 18, 2006
Eis que a novidade dos autores novos acabou e é hora de contar os prejuízos. O esforço de se criar uma nova geração literária foi em vão. Deram a esta nova geração títulos que pareciam nomes de boates da moda, como 00. Mas, infelizmente, os escritores desta fornada mal assada se mostraram mesmo zeros à esquerda.

Tenho batido nesta tecla há algum tempo, mas hoje já não tenho esperança alguma de ser compreendido: literatura nada tem a ver com o tempo presente. É algo para o futuro. Mesmo a literatura de um passado remoto, como Shakespeare ou, mais antigo ainda, Lucrécio, é a literatura que se comunica com o presente e o futuro. Não existe uma literatura que se comunique apenas com o seu tempo. E, paradoxalmente, é isso o que o leitor quer e os autores novos tentam dar. Um erro duplo.

Polzonoff, no Digestivo Cultural.

1984

Pense na hipótese de um grande provedor de internet - como a Velox - passar a colaborar fora dos limites legais com um órgão do governo - como a nossa ABIN - fornecendo-lhe livre acesso aos milhões de dados transmitidos por seus cabos. Esta medida, que seria justificada pela necessidade de prevenção e combate a crimes e outras atividades suspeitas, terminaria por também permitir o acesso da agência governamental a todo tipo de informação compartilhada pelos usuários do provedor (inclusive e-mails pessoais), violando, desta forma, o direito à privacidade de milhões de pessoas - tudo isso, claro, feito na surdina, na có-có.

Se você ficou com uma sensação de dejà vu, saiba que, nos EUA, isto já deixou de ser literatura há algum tempo. Link 1, Link 2  (em inglês).

Tenha medo.