May 10, 2007

Estava tão contente que tinha pensado em começar com um monte de onomatopéias e só depois agradecer, mas desisti após dar uma olhada nos tipos de resultado para pesquisa no google por meio dos quais algumas pessoas têm chegado aqui: percebi que a maioria destes últimos visitantes estava mais interessada na vida de Marcola que n’A Vida de Tiago A. Frustrado e um pouco menos contente, deixei de lado os iu-hu, iupi, êba.

BTW, esta ferramenta que permite ao blogueiro saber de onde vêm seus visitantes é só mais uma mostra do quanto o pessoal do blogsome é legal e faceiro. Não estou escrevendo essa nota de agradecimento no vernáculo deles porque não sei de que país eles são e estou com muita preguiça de pesquisar, mas agradeço ao pessoal do blogsome, que me deu um blog legal, bonito e de graça nesses últimos meses. Many thx 4 U, C U l8er.

Porque a parte de mim que vê vantagens na vida em comunidade se envaideceu toda com o convite do pessoal do apostos.com, e porque a parte de mim que não vê vantagens na vida em comunidade também não apresentou objeções — até porque o apostos não é comunidade, é portal — rogo-vos: atualizai vossos blogrolls e assinai o novo feed do www.apostos.com/avidadetiago. Vejo vocês lá. Aquel’abraço.

April 16, 2007

(Ainda não é a volta, mas preciso expressar minha ira, e não há melhor lugar para isso do que um blog, não é verdade?) Graças a vocês - integrantes americanos de minha geração - Grindhouse vai chegar aqui dividido em dois, e eu vou ter que pagar dois ingressos para assistir um filme cuja proposta revolucionária era trazer dois filmes geniais pelo preço de um. Tudo isso porque, na primeira semana de exibição, a fuckin’ popcorn audience imbecilmente saía do cinema depois da parte de Robert Rodriguez, pensando que o filme tinha acabado. Não, eu não acho que seria diferente no Brasil. (Esse tipo de coisa reforça a parte de mim que não vê vantagens na vida em comunidade. Volto a hibernar)

March 10, 2007

Vou passar uns dias sem postar. Abraços.

casquilho

March 6, 2007

Já que se falou nos homens, deixa eu dizer que aqui tem um artigo de PHB sobre os divertidos três anos na companhia de "Mason & Dixon" e que aqui tem um de JD em que ele conta como traduziu o título de "The Catcher in the Rye" e aproveita para ESCALDAR o tradutor português.

cachorrada

March 3, 2007

Não sei se Paulo Henriques Britto traduziu "Reunion" em "O Mundo das Maçãs e Outros Contos" (Cia. das Letras, 1987 - me dá já ganhei) e só por isso mas mesmo assim deixei meu cachorro fazer essa versãozinha pra me alegrar.

 

Reunião

de John Cheever 

A última vez que vi meu pai foi na Grand Central Station. Eu estava indo da casa de minha avó nas montanhas Adirondacks para uma casinha no Cabo que minha mãe tinha alugado, e escrevi para meu pai contando que estaria em Nova Iorque por uma hora e meia no intervalo entre um trem e outro, e perguntei se nós podíamos almoçar juntos. O secretário dele escreveu para dizer que ele iria me encontrar no balcão de informações ao meio-dia, e às doze em ponto o vi saindo do meio da multidão. Ele era um estranho para mim – minha mãe se divorciara dele há três anos e eu não tinha me encontrado com ele desde então – porém, tão logo o vi, senti que era meu pai, minha carne e meu sangue, meu futuro e minha condenação. Eu sabia que seria algo parecido com ele quando fosse adulto; teria de planejar minhas batalhas dentro de suas limitações. Ele era um homem grande, de boa aparência, e eu estava extremamente feliz por vê-lo de novo. Ele me deu um tapinha nas costas e apertou minha mão. "Olá, Charlie," disse. "Olá, rapaz. Queria te levar no meu clube, mas ele fica ali pela rua 60, e se você tem que pegar o trem cedo, acho que é melhor a gente ver algo pra comer aqui por perto." Ele passou o braço em volta de mim, e eu senti o cheiro de meu pai da mesma maneira que minha mãe sente o perfume de uma rosa. Era uma rica combinação de uísque, loção pós-barba, graxa de sapato, tecidos de lã e da posição que um homem maduro ocupa na sociedade. Eu desejava que alguém nos visse juntos. Tive vontade de que fôssemos fotografados. Queria algum registro de nosso encontro.

Saímos da estação e subimos uma rua lateral rumo a um restaurante. Era cedo ainda, e o lugar estava vazio. O barman estava discutindo com o garoto responsável pelas entregas, e havia um garçom bem velho metido num casaco vermelho à porta da cozinha. Nós nos sentamos, e meu pai chamou o garçom em voz alta. "Kellner!" gritou. "Garçon! Cameriere! Você!" Sua algazarra no restaurante vazio soava despropositada. "Será que a gente pode ter um atendimentozinho aqui?" gritou. "Vapt-vupt?" Aí, ele bateu palmas. Isto chamou a atenção do garçom, e ele veio arrastando os pés até nossa mesa. "Você estava batendo palmas para me chamar?" perguntou. "Calma, calma, sommelier," meu pai disse. "Se não for pedir muito – se não estiver muito além de sua obrigação, a gente vai querer dois Beefeater Gibsons."

"Não gosto que me chamem batendo palmas," o garçom disse.

"Devia ter trazido meu apito," meu pai disse. "Tenho um apito que só é audível aos ouvidos de garçons velhos. Agora, pegue seu bloquinho e seu lapisinho e veja se você entende direito: dois Beefeater Gibsons. Repita comigo: dois Beefeater Gibsons."

"Acho que é melhor vocês irem para outro lugar," o garçom disse baixinho.

"Essa," meu pai disse, "é uma das sugestões mais brilhantes que já ouvi. Vamos, Charlie, vamos dar o fora daqui."

Segui meu pai daquele restaurante para outro. Ele não foi tão ruidoso dessa vez. Nossas bebidas vieram, e ele quis saber tudo sobre o campeonato de baseball. Então, bateu com a faca na beira do copo vazio e começou a gritar de novo. "Garçon! Kellner! Cameriere! Você! Seria muito incômodo trazer mais dois iguais a esses?"

"Qual a idade do garoto?" o garçom perguntou.

"Isso," meu pai disse, "não é de sua conta."

"Desculpe, senhor," o garçom disse, "mas não vou servir outra bebida pro garoto."

"Bem, tenho umas novidades pra você," meu pai disse. "Tenho algumas novidades bem interessantes pra você. Este não é o único restaurante em Nova Iorque. Abriram outro na esquina. Vamos, Charlie?"

Ele pagou a conta, e eu o segui daquele restaurante para outro. Aqui os garçons vestiam jaquetas cor-de-rosa semelhantes aos trajes de caçadores de raposa e havia um monte de acessórios de montaria nas paredes. Nós nos sentamos, e meu pai começou a gritar de novo. "Mestre dos perdigueiros! ‘Raposa à vista’ e coisas desse tipo! A gente vai querer alguma coisinha parecida com aquele trago de boa sorte na caçada. Nomeadamente, dois Bibson Geefeaters."

"Dois Bibson Geefeaters?" o garçom perguntou, sorrindo.

"Você sabe direitinho o que eu quero," meu pai disse, com irritação. "Quero dois Beefeater Gibsons, e rápido. As coisas mudaram na velha e boa Inglaterra. É o que meu amigo duque me diz… Vamos ver o que a Inglaterra pode oferecer em matéria de coquetel."

"Aqui não é a Inglaterra," o garçom disse.

"Não discuta comigo," meu pai disse. "Faça apenas o que lhe mandei."

"Só achei que vocês poderiam gostar de saber onde estão," o garçom disse.

"Se existe uma coisa que não consigo tolerar," meu pai disse, "é um criado boçal. Vamos, Charlie?"

O quarto lugar aonde fomos era italiano. "Buon giorno," meu pai disse. "Per favore, possiamo avere due cocktail americani, forti, forti. Molto gin, poco vermut."

"Não falo italiano," o garçom disse.

"Ah, deixa de brincadeira," meu pai disse. "Você fala italiano sim, e sabe muito bem disso. Vogliamo due cocktail americani. Subito."

O garçom nos deixou e falou com o gerente, que veio até nossa mesa e disse, "Desculpe, senhor, mas esta mesa está reservada."

"Tudo bem," meu pai disse. "Arrume outra pra gente."

"Todas as mesas estão reservadas," o gerente disse.

"Entendi," meu pai disse. "Não querem nossa freguesia. É isso? Bem, vão pro diabo. Vada all’inferno. Vamos, Charlie."

"Tenho que pegar meu trem," eu disse.

"Desculpe, meu filho," meu pai disse. "Me desculpe." Ele passou o braço em volta de mim e me apertou contra si. "Eu levo você na estação. Se pelo menos tivesse havido tempo de ir no meu clube."

"Está tudo bem, papai," eu disse.

"Vou comprar um jornal pra você," ele disse. "Vou comprar um jornal pra você ler no trem."

Então, ele foi até uma banca de jornal e disse, "Meu bom senhor, o senhor poderia fazer a gentileza de me arranjar um desses seus benditos pasquins vespertinos de 10 centavos?"

O vendedor lhe deu as costas e ficou olhando a capa de uma revista. "Isso é pedir demais, meu bom senhor?" meu pai disse, "É demais pedir pra que o senhor me venda um desses seus espécimens nojentos da imprensa marrom?"

"Eu tenho que ir, papai," eu disse. "É tarde."

"Agora espera só um segundo, meu filho," ele disse. "Espera só um segundo. Quero tirar um sarro com a cara desse camarada."

"Adeus, papai," eu disse, e desci as escadas e peguei meu trem, e aquela foi a última vez que vi meu pai.

todo mundo dizendo olá

March 2, 2007

Em certos monastérios zen, é uma regra básica, se não a única disciplina rigidamente aplicada, que, quando um monge diz "Olá!" a outro monge, este último deve responder "Olá!" sem a menor hesitação.

Salinger, digo, Jorio Dauster in "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira"

veja você como as coisas são

February 24, 2007

Já em casa, sentado ao computador, depois de uma jornada estafante no escritório, você vê a chegada do fim-de-semana como o bálsamo que há de recompensar todo esforço, toda dor, e procura a peça de ficção que lhe fará companhia até que o sono venha e o abata. Seu primeiro impulso é tentar encontrar algo no site da New Yorker, mas você já leu aquela estória no fim-de-semana passado e a considerou apenas mediana. Isso é o bastante para que a nostalgia de um tempo que não é o seu lhe assalte, e você mais uma vez deseja ter vivido a década de 50 só para ler algo realmente bom na New Yorker (um John Cheever, talvez). Logo em seguida, porém, você se entristece ao lembrar que a internet não existia naquele tempo e que provavelmente você teria que sair do escritório e se contentar com um José Lins do Rego; um pensamento que lhe causa calafrios, mas ao mesmo tempo lhe deixa um sorriso de triunfo porque, embora possam ter aviltado sua dignidade no escritório, você ainda tem internet e por isso pode ser feliz. Será por causa dela que, tomado de ânimo, você baterá à porta de uma universidade perdida na Holanda que - veja você como as coisas são - lhe fez o favor de piratear The Country Husband, em formato .doc. Daí só será preciso mais um pouco de imaginação para se ver lendo a estória na New Yorker da década de 50 "[n]uma noite na qual reis em trajes dourados cavalgam elefantes pelas montanhas." 

onde estive

February 23, 2007

Dias de carnaval prestando o máximo de atenção para me manter o mais longe possível dele, logo praia. Foi nela que, num desses dias, a inspiração me veio, avassaladora e bela. Passei a escrever, na areia mesmo, um manifesto que começava com a exortação "Levantemo-nos, ó blogueiros esquisitinhos", mas, como no verso daquela canção, a ondá do mara pagou. Pena, pois o manifesto ia propor uma meme que nos obrigasse a escrever posts com mais de cinco parágrafos, keeping our tongues out of our cheeks. Quem não conseguisse seria objeto da infâmia e do desdém, com greve de comentaristas, retirada coletiva dos linques que apontam para seu blog, abrupto corte no suprimento de nescau, mutilação de mamilos.

alhures

February 14, 2007

Depois que o Digestivo Cultural e o Todoprosa fizeram estas gentilezas, acho que fiquei com writer’s block e não consigo completar uma frase com mais de

Que bom que achei uma entrevista antiga de Woody Allen com legendas em francês. Em duas par-tes. E é óbvio que você também riu bastante com ele entre-vistando o missionário Billy Graham. Ia deixar só esses links, mas lembrei que aqui tem alguns escritores falando de seus locais de trabalho (com fotos) e que Camille Paglia* está de volta na Salon, tratando - na mesma coluna - das eleições 2008 e da morte de Anna Nicole Smith**, dentre outros assuntos.

*Padroeira de todos os blogueiros. Greatest blogger ever.

**

Rest in peace, babe.

TMWWT

February 10, 2007

Retomei The Man Who Was Thursday na quarta-feira passada e essa foi a segunda melhor coisa que me aconteceu naquela tarde, a primeira não vou contar. Tinha começado a ler no sábado, mas muita coisa aconteceu naquele dia, tudo tão bom, tão bom que faz você interromper TMWWT e não se arrepender nem um pouco disso depois. Também chamam de felicidade.
 
Sabe, minha formação é cheia de buracos desse tamanho, inexauríveis fontes de vergonha e dor. A essa altura da minha vida, ainda não tinha encontrado ninguém que me tivesse pegado pelos ombros e me sacudido, repetindo LEIA TMWWT, LEIA TMWWT, o que me leva a questionar que diabos eu estava fazendo da minha vida, com que tipo de gente eu andei esse tempo todo, será que eles me amavam de verdade. Porque recomendar a leitura de TMWWT ou, maravilha das maravilhas, emprestar TMWWT para alguém é a maior prova de amor de que tenho notícia. Estive pensando em presentear todos os meus amigos com TMWWTs, mesmo aqueles que não lêem em inglês, pelo resto de nossas vidas. Todo aniversário, eu daria o mesmo presente, e a pessoa ia saber se a amo e há quanto tempo pela quantidade de TMWWTs que tivesse na sua estante.
 
No momento que posto, leio aquela passagem em que o Detetive Syme é apresentado a Sunday e aos outros membros do conselho. Se eu quisesse, já teria terminado o livro, que é fininho e tal, mas estou prolongando o prazer lendo um, dois capítulos por dia e passando o resto do dia pensando nele. No prefácio a essa edição que estou lendo, parece que Kingsley Amis diz não saber como é que Chesterton teve tempo para gerar essa obra-prima enquanto escrevia aquele monte de artigos e etc. Se o prefaciador não disse, eu estou dizendo agora, porque eu também não sei como é que pode uma coisa dessas. Meus blogueiros preferidos, que dizem adorar Chesterton, podiam tentar ser um pouquinho como ele e postar todos os dias, mas não, ficam por aí, feito bestas, se ocupando de nonadas.
 
Acredito em coincidências maravilhosas porque minha vida é repleta delas. Mas não pode ser à toa que a pessoa que veio me emprestar TMWWT e falar sorrindo LEIA LEIA LEIA tenha sido justamente você. Não pode ser à toa que justamente na quarta-feira em que resolvo retomar TMWWT do início o Céu comemore cem anos de sua publicação. Não pode ser à toa que thururururu, clica, bjo. 

c. de cummings (versão de meu cachorro pretensioso)

February 8, 2007

carrego seu coração comigo(carrego-o no
meu coração)nunca estou sem ele(a qualquer lugar que
eu vá você vai,minha querida;e o que quer que seja feito
só por mim é ato seu,meu amor)
                                                                                       não temo
destino algum(pois você é meu destino,meu mel)não quero
mundo nenhum(pois linda você é meu mundo,minha verdade)
e é que você é tudo que uma lua tenha exprimido desde sempre
e tudo que um sol sempre cantará é você

aqui está o segredo mais íntimo que ninguém conhece
(aqui está a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida;que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou que a mente possa esconder)
e este é o milagre que está mantendo as estrelas afastadas

carrego seu coração(carrego-o no meu coração)

minha primeira vez com Cole Porter

February 3, 2007
pra Gustavo, que é bróder. 
 
Ainda tenho uma certa curiosidade por saber como meus amigos desenvolveram as relações que têm com seus compositores favoritos. Já houve época em que achei que o que um compositor representava para alguém dizia mais sobre o caráter dessa pessoa do que qualquer outra coisa, e por muito tempo este foi o critério que estabeleci para iniciar novas amizades e ampliar o diâmetro do meu círculo social no orkut. Felizmente, evoluí muito de lá para cá e hoje sou um ser humano bem menos frívolo, que escolhe os amigos pelo tanto de verdade que enxerga neles e pela disposição que eles apresentam na hora de pagar a conta.
 
Cole Porter ainda está longe de ser meu compositor favorito, porque só me volto para ele quando estou me sentindo kinda slushy ou assistindo filmes antigos, o que acontece com menos freqüência do que eu gostaria. Mas ele certamente está naquela categoria de compositores que faz todo mundo se lembrar exatamente do que estava fazendo quando ouviu uma música dele pela primeira vez, a roupa que estava vestindo, o resultado do jogo do bicho no dia. Não vejo nenhum problema em contar como foi minha primeira vez com Cole Porter porque sou muito macho e viril e acho que de alguma maneira isso deve servir para que vocês formem uma idéia mais vívida de mim, partindo do pressuposto de que vocês querem muito formar uma idéia mais vívida de mim, o que pode não ser o caso, mas enfim.
 
Eu assistia pela primeira vez Hannah e Suas Irmãs e fiquei muito impressionado com aquela cena em que o personagem de Woody Allen e uma das irmãs de Hannah estão discutindo em frente a um restaurante. O encontro deles foi um fracasso e naquele momento parece que eles não têm nada em comum. (Me permitam um spoiler: eles têm e terminam o filme juntos) Essa irmã de Hannah tinha levado o personagem de WA a um show de rock e a experiência havia sido desastrosa. Ele, então, a convida para irem a um lugar onde se pudesse ouvir alguma coisa que prestasse. Nesse lugar, Bobby Short está cantando "I’m In Love Again", mas a irmã de Hannah não está gostando nem um pouco e passa o tempo todo cheirando cocaína. Quando eles enfim resolvem ir embora e estão na calçada esperando um taxi, a irmã de Hannah diz que achou tudo um saco, ou algo parecido. É aí que o personagem de WA, duro, sentencia: "Você não merece Cole Porter. Você devia ficar é com aquela gente que parece que vai esfaquear a própria mãe".
 
Aquela cena mexeu bastante comigo, pois sempre amei muito minha querida mãezinha e de modo algum queria ficar parecido com alguém que fosse esfaqueá-la. Por isso, resolvi dedicar toda a minha existência dali em diante ao projeto de merecer Cole Porter cada vez mais. Eu estava convicto de que isso faria de mim uma pessoa melhor. Pouco me importava que Cole Porter tivesse escrito a maioria das coisas que escreveu para um bando de marmanjos, porque eu já tinha aprendido na escola que existia algo chamado eu-lírico, que permitia que você fizesse o que você quisesse, lhe isentando de toda responsabilidade. Portanto, eu sabia direitinho que uma coisa era Cole Porter, outra coisa era o eu-lírico de Cole Porter, e foi assim que me justifiquei quando meu pai me acusou de estar ouvindo música de bicha e ameaçou cortar minha mesada. Claro que a vontade adolescente de desafiar o pai falou alto, mas me ocorre agora que o que determinou mesmo meu gosto por Cole Porter foi o fato de jurar ter ouvido o verso I get no kick from Sean Penn quando ouvi "I Get a Kick Out of You" pela primeira vez.
 

é pra vc

February 2, 2007

Dedico este post aos que receberam a indicação deste blog quando buscavam no Google sites que falassem do livro que o Marcola lê, ou da Sônia Braga sem calcinha, ou da Maitê Proença nua, ou de como descobrir quem te bloqueou no MSN, ou de figuras do ursinho Pooh ou dos poetas de 2007. A eles, e só a eles, quero confessar que vinha resistindo tenaz e bravamente já há algumas semanas, mas ontem, às escondidas, de madrugada, fraquejei e baixei o disco novo de Damien Rice, me precavendo para que nenhum de meus inimigos fosse testemunha disso. Certo que não ouvi o disco ainda, mas todos nós já sabemos o que me espera: a voz daquela cantora bonita cujo nome não lembro agora, uns violinos singelamente comoventes, talvez um violoncelo aqui e ali e aquele climão ô meu bem vem cá me abraça. Sinto uma certa vergonha de estar confessando essas coisas aqui, assim, mas vocês que foram sensíveis ao ponto de se interessarem por aqueles temas certamente também serão condescendentes e entenderão este momento que estou vivendo, que nos deixa cafonas e bregas e propensos a ver beleza na face de cada pedinte que eventualmente nos aborde numa mesa de bar.

esquema para post

January 30, 2007

O post deve iniciar com breve e superficial descrição do ambiente. Usar as palavras casa de minha avó, sombra da mangueira, calor abafado. Falar da quase felicidade que eu sentia por estar ali, lendo um livro, sem maiores preocupações. Talvez especular sobre a experiência de não suar apesar do calor, divagando sobre as possíveis causas do fenômeno e sobre o modo como ele, longe de representar incômodo, tornava tudo ainda mais estranhamente agradável. Tom neutro.

O segundo parágrafo deve remeter ao grande tema da incompletude humana à medida que apresenta a situação-conflito das formigas que mordiam meu pé, perturbando a experiência agradável descrita no parágrafo anterior. Transcrever o trecho exato em que tive de interromper a leitura por causa das formigas. Lembrar de usar a palavra insuportável. Evitar o tom de autopiedade e de justificação antecipada pelo desfecho do post.

Terceiro e último parágrafo mostrará como identifiquei no cimento do pátio da casa de minha avó o ponto exato de onde brotavam as formigas. Usar a expressão fonte da perturbação. Descrever o diâmetro do formigueiro e a relativa frieza (serenidade?) com que escolhi um graveto para entupir o formigueiro. Narrar o desespero das (5? 7?) formigas que não conseguiam mais entrar no buraco. Citar Gn 1:26. Evitar tom herético.

gente boa

January 29, 2007

David Foster Wallace, na New Yorker. (dica de Parada)

"(…) and in worship services he more just tuned himself out and tolerated Hell when it came up, the same way you tolerate the job you’ve got to have to save up for what it is you want." - sem querer, pensei no fim das férias ao ler isso.

c. de cummings

somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

sic

Esse é o cantor internacilnal Matisyahu.O engraçado é q as mulheres não podem pegar nele.Eu não sabia fui chamar ele futucando com o dedo…sabe o q aconteceu???? o segurança deu um gritio-NÃOOOOOOOOO nossa eu quase caia dura no chão.Que susto!!!! mais ele é ótimo pra foto só não pode triscar nele.Muçulmano…entendem agora o porque???

A pessoa que escreveu isso está sorrindo atrás desse quadrado amarelo (que na verdade, como todo quadrado, é um retângulo, repare). Trata-se da caçadora de artistas. De acordo com seu perfil no orkut, seu hobby é tirar fotos com pessoas famosas. "Isso me deixa feliz", diz ela, provando que ser feliz é muito simples.

viver intensamente

January 28, 2007

Assisti uma comédia romântica em que o protagonista, depois de receber a notícia de que tinha um tumor maligno no cérebro, resolve viver a vida intensamente e por causa dessa decisão encontra a mulher de sua vida, a enfermeira que cuidava dele no hospital. No fim do filme, a gente descobre que o diagnóstico na verdade era de um outro paciente (o funcionário público careca), e o protagonista, todo feliz, todo saudável, casa com a enfermeira mulher de sua vida enquanto os créditos sobem ao som de uma daquelas musiquinhas bastante animadas. Sempre sou muito influenciado por filmes assim e saí do cinema decidido a não esperar nem mais um minuto pra começar a viver a minha própria vida da maneira mais intensa possível. Fui pro bar da esquina, pedi uma cerveja e puxei conversa com o carinha que estava ao meu lado no balcão. Na primeira crítica que ele fez a uma opinião minha, dei-lhe um murro na boca e só parei de chutá-lo quando um dos caras que estavam com ele quebrou uma garrafa na minha nuca. Não lembro de muita coisa depois disso, só sei que a confusão foi generalizada e que me falta um dente e que viver é mesmo muito bom. 

January 25, 2007

Bem que Bruno Galera tinha dito. Este fone Philips SHE-255 é fantástico. E pensar que quase que dá tudo errado porque, de tão empolgado que fiquei com a dica, comprei meio às cegas e esqueci de conferir o principal: o plug do fone é 3.5 mm, e a entrada do meu MP3 player é 2.5 mm, o que só percebi quando o fone chegou. Você deve imaginar meu desespero após essa constatação. Testei o fone no computador e o som era tão bom, mas tão bom, com graves tão definidos, que encomendei um adaptador, mais caro que o próprio fone, inclusive. Estou completamente insolvente, mas valeu a pena. Dá pra ouvir no talo sem distorção, é uma beleza. Se você tem algo a me dizer, aproveite e diga logo. Acho que vou ficar surdo.

January 24, 2007
Aviso chocante a uma nação estupefata: o a craseado não é nenhuma monstruosidade abominável, é apenas o feminino da contração “ao”. É o equivalente de “aa”, onde o primeiro “a” significa a preposição “a” (ou “para”) e o segundo o artigo definido “a”. Quem quer que leve mais de dois segundos para entender isso e mais de três para aprender a aplicá-lo corretamente é um retardado mental, incapacitado para o exercício da cidadania adulta.
Olavo de Carvalho, no Diário do Comércio.
 

72 virgens

Steve Martin fazendo graça, clica. Minhas 5 preferidas: 14, 29, 32, 36 e 70.

aos jovens poetas

January 22, 2007

ENTREVISTADOR
Como um jovem poeta pode saber se sua obra tem algum valor? 

PHILIP LARKIN
Acho que um jovem poeta, ou um velho poeta, da mesma forma, devia tentar produzir algo que pessoalmente o agradasse, não apenas no momento em que escreveu, mas também algumas semanas mais tarde. Daí, devia ver se aquilo agrada mais alguém, enviando para o tipo de revista que ele gosta de ler. Mas caso não agradasse, não deveria se sentir desencorajado. Digo, no século XVII todo homem educado podia compor um verso e tocar alaúde. Já pensou se as pessoas não jogassem tênis só porque não vão chegar a Wimbledon? Primeiramente e antes de tudo, escrever poemas deveria ser um prazer. Assim como lê-los, por Deus.

Supposing no one played tennis because they wouldn’t make Wimbledon? Fiquei com vontade de linkar essa entrevista de Philip Larkin só por causa dessa frase, que justifica toda a minha existência, mas que meu cachorro não conseguiu traduzir direito. Tem uma hora lá em que o entrevistador pergunta se Borges era o único outro poeta contemporâneo famoso que, como Larkin, também era bibliotecário ou se ele conhecia outros. "Quem é Jorge Luís Borges?" é o começo da resposta, hehehe.

do dia em que aprendi que “yakult” quer dizer “saúde” “iogurte” em esperanto

January 21, 2007
Fosse este blog um poucochinho mais confessional, eu lhes descreveria como dançar arrocha numa festa de rock ao som de Arctic Monkeys (ou algo bastante similar) enquanto indies observavam, completamente estarrecidos, se tornou uma das experiências mais divertidas que já tive nessa vida.
 

ei, moça, dá pra mim?

January 18, 2007

i’m talkin’ bout da book, u dirty people. (link via)

momento indie

January 15, 2007

Só hoje, graças ao stumbleupon de Soares Silva, vi essa versão acústica de Hey Ya, que é uau, dá até pra entender a letra. Descobri que o gordinho barbudo se chama Mat Weddle, é do Arizona e tem uma banda chamada Obadiah Parker. Na página deles no MySpace, dá pra baixar a versão e ouvir mais coisas. Eles dizem fazer uma mistura de funk, R&B, gospel, blues e folk. É legalzinho. O mais exótico, porém, foi saber que eles fizeram um cover de Mama Africa de Chico César. Queria ouvir.

SJSJSJSJSJSJSJSJSJSJ

Lembro bem do ceticismo estampado na cara da última pessoa que me ouviu dizer que a Scarlett Johansson que conhecemos (i.e. linda linda linda) não era real, mas sim um produto da nossa imaginação. (Noto daqui sua expressão de "Oh, não diga", mas saiba que sou o primeiro a reconhecer o tamanho da platitude. Se falo coisas assim em público é porque sei que tem quem não consiga enxergar isso.) Pelo que você deve imaginar como eu fico besta toda vez que vejo que a SJ real é ainda mais linda. Ah, morder essa barriga.
 

to foster

January 10, 2007

No fim do ano passado, de tanto ouvi falar de David Foster Wallace, me dei de presente "Breves Entrevistas com Homens Hediondos", primeiro (e até agora único) livro dele a ser traduzido no Brasil. Mal acabei de ler e já quero reler. DFW parece poder contar uma estória do jeito que ele quiser. São tantas e tão variadas vozes que muitas vezes me peguei pensando "Jesus, mas é um cara só?". <clichê>A prosa dele é realista, e eu tive a impressão de que suas personagens bem poderiam ser pessoas de verdade, como eu e você</clichê>. Todas elas são atormentadas de alguma maneira. Relações humanas, sexo e psicanálise são os temas que mais aparecem, e, ao contrário daqueles que, na falta do que dizer, tentam disfarçar esse vazio com uma prosa metida a revolucionária, DFW sempre tem algo a dizer. Cada conto traz uma experiência formal nova, diferente da anterior, mas tudo está a serviço do que ele quer pigarro comunicar. Lendo os contos, eu tinha a sensação de estar imerso numa experiência que acho que não tinha vivido até então, pelo menos não nessa intensidade: era quase como se as idéias, os temas trabalhados pelas estórias não encontrassem obstáculo entre os cérebros do autor e do leitor. OK, sei que isso não é possível, por isso que eu pus aquele quase ali. Um trecho do livro pode ser lido aqui.

Descobrir um autor novo depois de todo mundo é uma maravilha porque a gente sabe que ainda tem um monte de coisa dele e sobre ele pra ser lida. A quantidade de material que encontrei vai me manter nesse estado de euforia por um bom tempo, acho. (Eu contei que ele é professor?) Um perfil. Um discurso numa cerimônia de formatura. Uma entrevista longa. Uma entrevista curta. Um conto em inglês. Outro. Mais um. Mais dois. Um conto traduzido pro português. Um post do tradutor do conto. (Eu falei que ele é ensaísta também?) Uma resenha/ensaio excelente, tratando de American Usage. (Em alguma lugar, vi compararem esse texto com Politics and the English Language, de Orwell. Vi também quem não tenha gostado tanto assim.) Um ensaio sobre David Lynch. Um ensaio sobre lagostas. Um ensaio comparando um blockbuster tipo Exterminador do Futuro 2 a um filme pornô. Um trecho de um ensaio sobre, sei lá eu, abstração? Um ensaio sobre aquele tenista famoso. Um ensaio sobre o Adult Video News Awards. Uma entrevista na TV. Um site para fanáticos. (Eu falei da mania das notas de rodapé? Uma piadinha, hehehe.) Vejo agora que esqueci de dizer que DFW é o autor de Infinite Jest. Uma coluna tratando do assunto. (Falando nisso, Elton Mesquita traduziu dois capítulos desse livro: aqui e aqui.) Outra piadinha:

 

Ah, férias.

ah, não sei, achei isso tão poético

January 8, 2007
 
lemming noun [countable] a small animal that looks like a rat. Lemmings are known for following each other in large numbers and killing themselves by jumping off cliffs into the sea.
 
 
 
in LDoCE

coisa que eu sei

January 6, 2007
Salinger tem um perfil no orkut, mas não adiciona ninguém e não está em comunidade nenhuma. Ele tem MSN, mas bloqueou todos os contatos e só entra offline. Desde a década de 60 que ele não publica um post novo, e você nem pode reclamar disso porque o blog dele não tem caixa de comentários.
 

foi assim

January 4, 2007

Rolei de lado, ajeitei o travesseiro pela última vez. Lá fora, barulho de hóspedes colocando malas, coisas em carros, voltando para os lugares de onde vieram. O quarto já estava cheio de uma luz bem fraquinha, me dizendo que eu podia desistir de tentar dormir, levantar. Levantei. Lavei o rosto, vesti a camiseta regata verde amassada, peguei o livro, saí. Desejei BOM DIA aos hóspedes que se preparavam para a viagem de volta, sorri OLÁ para a menininha sentada na escada da pousada. O dia prometia ser bonito, recompensa para a noite mal-dormida, ruim. Resolvi caminhar até a praia, sentei na areia, abri o livro, olhei o mar. A quatro dedos acima da linha do horizonte, umas nuvens de chuva, lá longe. No meio da página 152, vi o sol surgindo devagarinho. Ele foi nascendO nascENDO nASCENDO e em pouco tempo estava INTEIRO, sobre o mar, sob as nuvens. Sorri o meu segundo sorriso do dia. Tinha esquecido como é bonito ver o sol nascer. Fiquei feliz.

oi. postarei assim que puder. abraço.

December 24, 2006

V: With me it’s just the opposite.

E: In other words?

V: I get used to the muck as I go along.

E: (after prolonged reflection). Is that the opposite?

V: Question of temperament.

E: Of character.

V: Nothing you can do about it.

E: No use struggling.

V: One is what one is.

E: No use wriggling.

V: The essential doesn’t change.

E: Nothing to be done.

vem cá, Orhan, por que você escreve?

December 20, 2006
A pergunta que, com maior freqüência, é dirigida a nós, escritores, a pergunta favorita, é: por que vocês escrevem? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever. Escrevo porque não posso ter um trabalho normal como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros iguais aos que eu escrevo. Escrevo porque estou irritado com todo mundo. Escrevo porque adoro ficar sentado numa sala, escrevendo o dia todo. Escrevo porque só consigo tomar parte da vida real transformando-a. Escrevo porque quero que os outros, o mundo inteiro saiba que tipo de vida nós vivíamos e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque amo o cheiro de papel, caneta e tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido. Escrevo porque gosto da glória e do interesse gerados pelo ato de escrever. Escrevo para ficar sozinho. Talvez eu escreva porque espero entender por que estou tão, tão irritado com todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque, tendo começado um romance, um ensaio, uma página, eu quero terminar. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na maneira como meus livros ficam na estante. Escrevo porque é instigante transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo, não para contar uma estória, mas para compor uma estória. Escrevo porque desejo escapar do mau presságio de que há um lugar aonde eu devo ir, mas aonde - como num sonho - não posso chegar por completo. Escrevo porque nunca consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.
Orhan Pamuk disse algo parecido com isso em seu discurso de agradecimento do Nobel de Literatura. Foi meu cachorro quem traduziu e ele gostaria de agradecer a Maureen Freely por ter traduzido do turco para o inglês. Ele não sabe turco.
 

da crítica

December 17, 2006
 
A atenção que dou a todas as críticas de todos os críticos do mundo inteiro é semelhante à que de mim recebem os ofícios dos camponeses do sul da Albânia, dos engenheiros afrodescendentes da NASA e dos veterinários gays da Polônia, se é que lá existe algum veterinário, se é que existe alguma Polônia - no fundo, no fundo, todos nós duvidamos disso. Mas, por favor, veja bem. Eu não disse que não gosto do trabalho dos críticos, eu disse apenas que é um trabalho que não me faz dizer oh; e talvez seja por isso que às vezes eu me divirta tanto com eles.
 
O que um crítico diz é apenas uma das muitas reações que um determinado produto cultural pode gerar e eu poderia encher esse parágrafo com palavras pomposas e feias como polissemia, sujeito, significante, mas acho que já passei dos limites com aquele "produto cultural" ali. Espero muito que você tenha entendido o que eu queria dizer, porque me deu preguiça de seguir adiante com esse papo chato.
 
Como eu ia dizendo, os críticos produzem por vezes grandes momentos de humor involuntário, dos quais eu não vou fornecer muitos exemplos agora, torcendo pra que você também não me julgue muito antipático por isso. Em dias de chuva e vento forte, quando canso de contemplar o bamboar da goiabeira do meu quintal, gosto de vaga(bundea)r pelo metacritic, me deliciando com as vari(eg)adas opiniões dadas sobre um determinado livro, ou filme, ou disco, ou ah, chega. Esse livro novo de Thomas Pynchon, por exemplo, até agora recebeu 8 outstanding critics and 5 unfavorable ones. O mesmíssimo livro. Não é engraçado isso? Ah, não sei vocês, mas eu não consigo parar de rir aqui, hahahahaha.
 
É por isso que eu não entendo por que tem tanta gente que leva crítica tão a sério. Ô, pessoas, crítica é opinião e opinião é só opinião e é bom não esquecer que esse é um mundo de muito jabá e resenha feita às pressas e regurgitar de press releases, nossa, regurgitar, hoje eu tô que tô. Se um crítico falou mal de seu artista preferido, é só procurar um que tenha falado bem. Afinal, crítico honesto é aquele que concorda com a gente e gosta das coisas que a gente gosta; conforte-se com a certeza de que, assim como Paris, sempre haverá de haver um blogzinho que seja com alguma crítica honesta perdido por aí.

like a four-leaf clover

December 16, 2006

Tá, tudo bem, eu confesso que, como todos vocês, só assisti Anything Else pra ver Christina Ricci de calcinha e até que me diverti bastante, mind you. Principalmente com o diálogo daquela hora em que ela chega em casa com Jason Biggs depois da festa em que ela apresentou ele a uma amiga dela que era atriz. Nesse filme Christina é meio maluca e quer que ele fique com outras mulheres, lembram disso?

Bem, eu sabia que vocês não iam se lembrar, por isso tive todo esse trabalho de locar o filme mais uma vez só pra transcrever o diálogo em questão pra vocês, meus queridos amigos; que mentira, peguei aqui. E não é preciso que ninguém me diga o quão lowbrow é fazer um post sobre um diálogo de um filme menor de Woody Allen, me deixem:

"Are you in love with Connie?" "Connie?" "Don’t pretend you can’t remember her name." "I wouldn’t have even looked at Connie if you hadn’t thrown us together." "I thought you’d like her. She’s smart and beautiful and very literate." "A literate actress? What is that? Like a four-leaf clover?" - foi aqui que eu ri, que leviandade.

Na verdade, eu só queria dar a dica do texto da filha de Fernanda Montenegro no número desse mês daquela revista lá. Eu gostei, então deve ser bom. It’s like a four-leaf clover.

por que as mulheres não são engraçadas?

December 14, 2006
 
É a pergunta que Christopher Hitchens se fez na Vanity Fair. Calma, querida, antes de acrescer "misógino" à coleção de epítetos negativos que ele já carrega, leia o artigo.
 
E é muito rude ficar discordando de polemistas, eu sei, mas teve uma hora em que eu não pude deixar de balançar a cabeça e fazer tsc-tsc. Foi quando ele disse que "[p]recisely because humor is a sign of intelligence (and many women believe, or were taught by their mothers, that they become threatening to men if they appear too bright), it could be that in some way men do not want women to be funny. They want them as an audience, not as rivals."
 
Não, Mr. Hitchens, não. Nada pode ser melhor que uma mulher too bright - querida, não ouça sua mãe - e eu tendo a gostar mais das que não são nem audience, nem rivals, mas sim allies - o que, tá, you’re spot-on, é um pouco raro de se encontrar (valeu, Gustavo).

não publique, seja feliz

December 13, 2006

In any case, here are examples of some typical bad reasons to publish a book:

  • I think I oughta be a published book-author.
  • My friends will be impressed.
  • I always dreamed of seeing a book of mine on the shelf at the bookstore.
  • Being published will make my life worthwhile.
  • I have something that deserves to live for the ages.
  • I have a contribution to make to literature.
  • My genius demands that I publish a book.
  • Publishing a book will change my life for the better.
  • Publishing a book will put me in the company of people — agents, edtiors, writers, intellectuals — who will appreciate me in a way my friends and neighbors don’t.

Ahahhahahahah! What fun it is to list the ways dreamy people delude themselves. Oh, let me wipe away the laughter-tears … Now, where was I?

Michael, do 2blowhards, dá algumas dicas pra quem sonha em ser "publicado", a principal delas sendo "deixa disso, meu filho, cria um blog".

enquete

December 11, 2006

É o teatro contemporâneo apenas um pretexto para as pessoas mostrarem a bunda em público?

les vieux

December 9, 2006

Da próxima vez que você passar pelo Campo Grande num fim de tarde, repare nessa turma de velhinhos que se reúne ali. Serão uns 10 ou 12, vai variar a depender do dia. Eles vão estar todos bem vestidos, alguns de chapéu. Sempre que estou por lá e tenho a sorte de encontrá-los, sento no mesmo banco que eles, faço cara de paisagem e fico ouvindo as conversas, as lembranças, as risadas, o relato da última traquinagem da netinha. Não sei a história de nenhum deles individualmente e acho que não conseguiria reconhecê-los em outro lugar, mas, já há algum tempo, sentar perto deles tem sido o mais próximo que eu consigo chegar de pessoas verdadeiramente felizes.

E, no entanto, não sei por que essa canção de Brel mexe tanto comigo. Toda vez que a escuto, não consigo parar de pensar nos pianos fechados, no gatinho que morreu, nesse mundo que se resume a ir da cama pra janela, depois da cama pro sofá e depois da cama pra cama. No fim, tudo o que eu mais quero é rejeitar esse retrato triste e continuar em paz com minha imagem dos velhinhos no Campo Grande.

Clique, as legendas estão naquele dialeto do português. Totalmente chegou alegria.

coisa que me aconteceu

December 6, 2006
Peguei um ônibus ontem de manhã pra ir pro colégio e tive a sorte de ir sentado. Eu adoro quando isso acontece porque assim eu posso ler um pouco, e era bem isso que eu estava fazendo quando uma garota parou do meu lado e ficou em pé porque não tinha mais lugar pra ela sentar. Eu até pensei em dar o meu lugar pra ela, mas aquele livro que eu estava lendo era muito bom e ela podia achar que eu estava achando, sei lá, que ela era velha ou que ela estava grávida. O cabelo dela era comprido e estava meio molhado, a cara dela estava fresquinha e parecia a cara de alguém que acabou de sair do banho e não se enxugou direito. A pele dela era morena clara e ela estava segurando um caderno da capa verde-cana. Eu me senti bem porque a capa do caderno dela não era de nenhum desenho bobo e fiquei olhando pra ele por um bom tempo, aproveitando pra olhar pra ela também. Teve uma hora que ela percebeu e parece que sorriu com o canto da boca, só que eu sou tímido e quando coisas assim acontecem eu sempre desvio o olhar e finjo que não estava olhando nada não. O ônibus estava meio cheio e quando ele fez uma curva a cintura dela ficou bem perto da minha cara e deu pra sentir o cheiro da barriga dela, esse cheiro está na minha cabeça até agora. Eu perguntei se ela queria que eu segurasse o caderno, ela agradeceu com um sorriso bem bonito, mas sem mostrar os dentes. Ela me deu o caderno e eu fiquei olhando pra capa dele. De vez em quando eu disfarçava e olhava pra ela. Quando o ônibus estava chegando perto da Escola X, ela pediu o caderno de volta, agradeceu de novo e desceu. Eu olhei pra ela pela janela do ônibus, a luz do sol batia no cabelo e na pele dela, era muito lindo. Ela ainda estava com aquele sorriso bonito que eu falei e eu lembro que nessa hora eu fechei o livro e sorri, sozinho. Depois fiquei pensando nela o dia todo.
 

me engana, que eu gosto

December 5, 2006
Nem eu nem as pessoas envolvidas no projeto dissemos que a Piauí seria a New Yorker brasileira. Seria meio bobo e pretensioso afirmar isso. A New Yorker é o resultado de um momento específico do jornalismo americano: um grupo extraordinariamente talentoso de escritores oriundos de diversas partes dos EUA (quando não do mundo) encontraram-se na cidade que, àquela altura, já tomava o lugar de Paris como centro da vida literária mundial. Isso não se reproduz em lugar nenhum. A Piauí é uma revista nova, inventada do zero. Temos nossas admirações – Senhor, Pasquim, New Yorker, Realidade, Opinião – mas admirar é uma coisa, copiar é outra. Não há nada muito parecido com a Piauí. Nem aqui, nem fora. 
 
João Moreira Salles, editor de piauí, em entrevista ao Digestivo Cultural. 

mais do meme

December 1, 2006

Eu não entendo essa gente que não gosta de meme. Será que elas não vêem que esse é um momento de confraternização, de integração, de frivolidade e alegria entre os blogueiros? As pessoas que dizem detestar meme são as mesmas que acham o Natal uma festa comercial, só mais um produto desse capitalismo cruel e que costumam taxar como convenção pequeno-burguesa tudo o que há de bom nessa vida. São chatas. Merecem ir para o inferno.

Luciano, muito gentilmente, me passou essa meme cuja contrainte é falar sobre três autores que foram abandonados, e eu fiquei lisonjeado. Valeu, Luciano.

Bem, eu deixo um escritor falando sozinho por muitos motivos, dentre os quais o maior é a chatice mesmo. Mas não vou tratar do que me faz abandonar um autor, me deu preguiça. Ao invés, vou revelar as espécies de arrependimento que sinto depois que desisto de vez, aproveitando para nomear um autor para cada uma delas.

Arrependimento por ter começado. Eu me arrependo por um dia ter lido Jorge Amado. Meus amigos até tentam me consolar, dizendo que seria praticamente impossível nascer aqui e não ler nenhum livro dele, mas eu não me conformo. Parei de comer cacau para nunca mais me lembrar dessa desgraça.

Arrependimento por não ter largado antes. Isto eu sinto por Sartre. Quando eu era bem mais jovem, ano passado, botei na cabeça que ia ler os romances de Sartre e resolvi começar pela tal Trilogia da Liberdade. Me lembro de ler Idade da Razão e, a cada página que virava, murmurar Meu Deus, que chatice isso, mas fui até o fim. Infelizmente. Tenho muita vergonha disso.

Arrependimento por não ter insistido. Joyce. Quem sou eu para dizer que é chato? Jamais. Longe de mim. Tudo o que eu sei é que uma tarde dessas eu folheava Ulisses, tentando ler o monólogo de Molly e só ficava perguntando O que é isso, Jesus, o que é isso? Dá dor de cabeça só de lembrar.

Agora, seguindo a regra e para não deixar a festa acabar, eu tenho que passar o brinquedo para mais três blogueiros. Gustavo, porque em outubro ele se despediu para ler uma pilha de livros e não comentou nada sobre a experiência. Gabi, porque eu gosto de passar meme para ela. E Parada, porque é um leitor que eu admiro muito.

alhures

November 26, 2006
 
*Eu ri muito com a entrevista em que Ali G pergunta quantas palavras Noam Chomsky sabe.
 
*É claro que todo mundo já viu como Sophia Loren está linda no calendário da Pirelli.
 
*Um link engraçado.
 
*Eu já tinha comentado com Gabi o quanto a piauí me lembrava a New Yorker do tempo de Harold Ross, que infelizmente não foi o meu tempo, mas do qual eu sei um pouco porque eu sou bem esperto. Saymon concorda comigo.
 
*A propósito, quem lê o posfácio que o editor de piauí escreveu para esse livro do editor da New Yorker fica sabendo um bocadinho sobre o tempo de Harold Ross e fica esperto que nem eu. 
 
*E já que estamos falando na New Yorker, vocês viram que Jeeves está trabalhando pra Bush?
 
*Sou só eu que acho Segovia parecido com Nabokov?
 
*Juliana Cunha está organizando um "Café Literário" dentro da programação de um desses encontros de estudantes em que as pessoas se reúnem para discutir os rumos do país e fumar maconha. Promete-se as presenças de Cardoso, Daniel Galera, Mr. Manson e Alexandre Soares Silva. Vai ser muito divertido quando perguntarem a Alexandre qual o papel que ele acha que o Movimento Estudantil pode jogar na luta pra barrar a influência nociva do imperialismo estadunidense sobre as verdadeiras manifestações culturais de nosso povo.
 
*E é preciso barrar a influência nociva do imperialismo estadunidense sobre os blogs brasileiros. Os companheiros do Opinião Popular mandam avisar que já estão nessa luta.
 
*A idéia que faço do Céu. 

as mulheres do meu tempo

November 18, 2006
Ainda não me conformei com o infortúnio de ter nascido na era da vulgaridade e de, portanto, ser obrigado a conviver com suas mulheres. Garanto que poucas experiências podem ser tão desagradáveis quanto ver e ouvir uma menina feia e descabelada correndo e berrando ME F*DI, ME F*DI pelos corredores de uma universidade pública numa manhã de quarta-feira.
 
É bem famosa a tese de que até a revolução feminista (sic) se negava à mulher o direito de projetar seu intelecto além do necessário ao cumprimento das atividades domésticas, mas por causa de Jane Austen eu me recuso a acreditar nisso. Por outro lado, não posso negar alguma razão a quem defenda essa tese, principalmente quando confiro o que a História tem a nos dizer sobre o porquê de minha vizinha insistir em usar roupas de lycra sabidamente moldadas para corpos menores que o dela.
 
Depoimentos academicamente confiáveis informam que tudo se passou numa daquelas viagens de kombi ao litoral paulista tão comuns na fatídica década de 70. Todo mundo sabe que as mulheres daquela geração, quando não estavam sob o efeito de cogumelos alucinógenos, só conseguiam pensar por meio de silogismos - uma característica das mentes inferiores - e isto se dava porque elas eram burrinhas mesmo. Conta-se que uma das ripongas tomou a premissa maior de que os homens eram vulgares, enrolou na premissa menor de que só os homens eram completamente livres, fumou o bagulho e concluiu que para ser completamente livre era preciso ser vulgar.
 
Foi o começo do fim, e é possível identificar uma linha não-evolutiva que começa em Gretchen e vai dar em Paris Hilton. É lamentável que até mesmo mulheres que em outras épocas seriam a encarnação do charme não consigam deixar de se contaminar pela vulgaridade do nosso tempo. Juliana Paes, por exemplo. Aliás, alguém é capaz de imaginar Audrey Hepburn, sem calcinha, se deixando fotografar enquanto rodopia, sorri e revela os pêlos pubianos? (Pensando bem, hmmm.)
 
Seria inegavelmente lindo, mas também o bastante para que ela deixasse de ser "Audrey Hepburn, the fairest lady", passasse a ser  apenas "Audrey, aquela gostosa", e dali a pouco estivesse num concurso para eleição da nova morena do Tchan. Então tudo se tornaria cinza e certamente haveria três longos minutos de silêncio no Céu.
 

November 15, 2006
Só me parece que os blogs daqui são literariamente mais pretensiosos - pelo menos a criatura tenta fazer graça, publica um pouco de ficção de vez em quando, e se faz um post linkando matéria ou texto dos outros, dificilmente faz no seco, sem alguma piadinha infame.
 
Rodrigo de Lemos, falando das diferenças de estilo entre blogs americanos, brasileiros e portugueses, verbaliza algo que eu já via há algum tempo, mas que pensava ser apenas um cisco no olho - e eis a piadinha infame. 

setenta vezes sete

Haveria mais harmonia na Terra se as pessoas fossem indulgentes como eu, que, de antemão, perdôo todo o mal que faço aos meus semelhantes.

November 14, 2006

 

“reality”

November 11, 2006
 
"(…) the huge oils of Eystein had fascinated several generations of Zemblan princes and princesses. While unable to catch a likeness, and therefore wisely limiting himself to a conventional style of complimentary portraiture, Eystein showed himself to be a prodigious master of the trompe l’oeil in the depiction of various objects surrounding his dignified dead models and making them look even deader by contrast to the fallen petal or the polished panel that he rendered with such love and skill. But in some of those portraits Eystein had also resorted to a weird form of trickery: among his decorations of wood or wool, gold or velvet, he would insert one which was really made of the material elsewhere imitated by paint. This device which was apparently meant to enhance the effect of his tactile and tonal values had, however, something ignoble about it and disclosed not only an essential flaw in Eystein’s talent, but the basic fact that ‘reality’ is neither the subject nor the object of true art which creates its own special reality having nothing to do with the average ‘reality’ perceived by the communal eye."
 
(Nabokov, in Pale Fire)

v. g.

November 10, 2006

Maldita seja a reforma que tirou Retórica e Argumentação do currículo escolar e hã? O quê? Como assim essa matéria nunca fez parte do currículo escolar? Maldito seja, então, o fato de ainda não ter havido uma reforma para incluir Retórica e Argumentação no currículo escolar.

Sim, porque é exasperador (uia!) você pedir para que alguém lhe explique alguma coisa e esse alguém já começar a explicação dando exemplos.

"Hmm, teoria da relatividade, deixa eu ver. Fácil. Por exemplo, tinha dois irmãos gêmeos: um viajou a uma velocidade próxima à da luz, o outro ficou na Terra. O que ficou envelheceu mais rápido, ou seja, tudo é relativo."

sábio Oskar

November 9, 2006

"Isn’t it so weird how the number of dead people is increasing even though the earth stays the same size, so that one day there isn’t going to be room to bury anyone anymore?"

Comecei a ler Extremely Loud & Incredible Close.

ah, entendi, fazedor de vestido ou Elis, a bête

November 1, 2006

Se repete em todo curso de idiomas, é inelutável. Ah, eu sempre quis dizer que algo era inelutável, deixa eu repetir, que bonito, é inelutável, é inelutável, sim, é i-ne-lu-tá-vel. Pronto. Parei.

Mas como eu ia dizendo, não importa qual a língua que se pretende aprender, sempre vai haver aquela colega, brasileira inzoneira, que vai falar português durante a aula inteira (é, rimou, eu sei, foi mal). Não adianta a professora pedir auf Deutsch, bitte, in English, please, en Español, por favor, en Français, s’il te plaît. Trata-se de alguém com orgulho de sua monolingüice, que se matriculou no curso só para vê-la afirmada e que vai aproveitar toda oportunidade em que a professora estiver ensinando o vocabulário novo da lição, fazendo mímica e apresentando sinônimos, para interromper com um ah, sim, entendi, é parará, sendo parará a tradução da palavra que a professora se esforçava para explicar. E, claro, ela só vai entender os tempos verbais se você der um equivalente em português, e, se ele não existir, ela vai se revoltar e fazer beicinho e perguntar onde é que já se viu um negócio desses.

Nesses momentos, você se pergunta por que ela não se matriculou num curso de português do Kumon, mas, vá por mim, é melhor parar de se fazer esse tipo de pergunta irrespondível que não leva ninguém a lugar nenhum. Afinal, ela é uma pessoa boa apesar de tudo e alegra o mundo escrevendo resenhas na Amazon, clique.